sexta-feira, 2 de abril de 2010



já foi melhor.

Quando se tem do que falar, o vocabulário fraco não é problema nenhum.

Mas e quando não se tem nada a dizer?



escrito por Gabriel Caropreso às 23:00


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surpresa

Foi dentro de um livro desses escritos nos anos 50, que ora me consumia, ora me perdia que eu a encontrei.

Foi aparecendo aos poucos, tímida. Começou lá por volta da página vinte e cinco, na forma de umas rugas suaves e foi se revelando a cada página virada, devagar como as coisas bonitas se revelam, um rosto na multidão que demora a ser reconhecido, um pôr-do-sol particularmente laranja ou as formas de um caleidoscópio.

A cada página virada, dava uma dica do que poderia ser, passou de gotas d'água a gotas de café, até acabar com o mistério e revelar-se de fato uma flor, agora morta e seca, marcando uma página com sua presença e outa meia dúzia com seus rastros de vivente.

A flor que jazia ali, morta me trouxe pedaços de vida em memória já a muito perdida.

A nostalgia toma várias formas. Desta vez veio numa flor seca entre palavras de uma história não tão interessante quanto as que a gente vive de verdade.



escrito por Gabriel Caropreso às 22:36


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