segunda-feira, 5 de outubro de 2009



sobre rodas

Impossível deixar de pensar naquele rosto.

Um anjo anônimo que dormia encostada num vidro imundo, sentada num banco imundo vestindo roupas que não lhe cabiam.
Por muito tempo beijarei aquele rosto em meus sonhos, o sonharei em minha vida, sonharei minha vida nele.
Amor infinito, o amor dos itinerários de ônibus. Amor que surge antes da próxima parada, apertar o botão e descer. Amor que não dura o suficiente para terminar.
Quando desci, ela ainda dormia sorrindo, sonhando uma paixão qualquer.
Jamais cheguei a conhecê-la, e por isso a amo.
Amo com sinceridade infinita. E fidelidade infinita.
Sinceridade de quem se apaixona sobre quatro rodas, entre pessoas invisíveis quaisquer, entre um ponto e outro.
Fidelidade do que nunca se concretizará, e por isso é eterno.
Seremos anônimos.
Seremos eternos.
Seremos amantes.


escrito por Gabriel Caropreso às 19:37


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