terça-feira, 22 de setembro de 2009
domingo
Mais uma vez seu perfume me pôs pra dormir e eu sonhei.
Um apanhado do que eu vivi no dia, você estava lá.
Umas pistolas de brinquedo, uns doces, um desconhecido carismático.
Levantei buscando ainda seu perfume em minhas mãos e me tranquilizei ao encontrá-lo.
Levantei com a nostalgia do que não conheço e passei um café fraco, ao encontrar os últimos gramas de pó negro em um pote de vidro.
O dia era frio, e eu não tinha muito a fazer, além de sonhar mais, dessa vez em vigília, manipulando as imagens. Você estava lá.
Limpei meus óculos sujos na barra da camiseta e fiquei alguns minutos fitando a parede da cozinha e projetando nela o que quer que eu pensasse.
Uma praia de areia branca, uns livros, um sábio, uns amigos.
Abri uma fresta na janela, o ar gelado inundou meus pulmões e me lembrou estar vivo, o cheiro de manhã provocou minhas narinas e brincou com minha ansiedade sempre presente.
Era um dia de paz.
Paz de sorrir sozinho.
Paz de pensar em ti.
A cidade sorriu de volta, convidando.
Peguei uns trocados, caneta e papel e um barulho qualquer e fui.
Umas vitrines, umas roupas velhas, umas bitucas de cigarro.
Sentei na calçada mais tranquila e olhei os carros enquanto me surpreendia um som extraordinário saindo de uma loja de discos próxima.
Nos dias ruins eu não deixo minha cama esperando a morte chegar.
Nos dias bons eu penso em ti e isso me basta, sabendo que nunca a terei.
Deixa estar, digo a mim mesmo.
Um pouco de cor no cinza, o céu azul, a pele gelada.
O dia bom corre, impassível, inabalável. Independente do amanhã que, sendo bom ou ruim, será de verdade.
Conto uns trocados, compro um chiclete.
Domingo traz a dose certa de pesar.
escrito por Gabriel Caropreso às 20:22