sábado, 31 de maio de 2008



choveu!

Trabalhava num circo onde, quando chovia, não havia espetáculo.
E estava chovendo.
Então, ela se escondia debaixo de cobertores e brincava com fantoches de meia, brincava com as lágrimas que enchiam seus olhos quando bocejava, brincava com a luz, e a luz brincava com ela. A luz propõe diversas brincadeiras pra quem está disposto a prestar atenção, quase ninguém presta, porém.
Algumas bolas coloridas rolavam com vida própria pelo chão frágil do trailer, perdendo-se e mudando de idéia pelo caminho, e tudo ficava bem.
No acampamento, cada um fazia o que uma família comum itinerante com 4 malabaristas, 3 trapezistas e uma fantasia de "Monga, a mulher macaco" faria, o que é isso não posso imaginar.
Um pai irritado tentava fazer o possível pra se concentrar em um novo e mirabolante número de ilusinismo, enquanto seu filho hiperativo, famoso por fazer malabarismo com sete frigideiras aos oito anos procurava os objetos mais perigosos que pudesse encontrar para pregar uma peça em alguém, enchendo o saco de todo mundo no processo.
O patriarca da família bebia vinho e assistia a algum programa terrível de sábado à tarde na televisão gratuita, sozinho em um trailer escuro muito bem iluminado pelo sol.
A chuva fazia bem de vez em quando.


escrito por Gabriel Caropreso às 19:03


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