quarta-feira, 30 de abril de 2008
inspiração
Me sentei na cadeira em frente àquela velha escrivaninha de madeira grossa, depositei meu cigarro pela metade no cinzeiro empoeirado que mudara de cor durante todos aqueles anos de uso. Cinzeiros nunca se estragam, só se transformam, é uma teoria que eu venho desenvolvendo.
Quando eu não sei o que eu escrever eu leio, dá tudo na mesma. Todas as idéias já foram pensadas e trabalhadas, em sonho ou realidade, não importa. Tudo o que é escrito teve de ser pensado antes, e tudo o que foi pensado se sabe. Tudo se sabe. Escrever é apenas um longo exercício de memória.
E ler, é se lembrar do que já pensamos ou teríamos pensado de qualquer maneira. Tudo que lemos foi escrito por nós em outra ocasião. Se não foi poderia ter sido.
Faz muito sentido pra mim.
As gotas escorriam pelo lado de fora de um copo meio-vazio de uísque com três pedras solitárias de gelo, e eu decifrava tipos como se pintasse um quadro. O único quadro que eu possuía me fitava com certa curiosidade, como se quisesse saber o que aquelas páginas meio amarelas me diziam. Então eu lia alto, para me lembrar que eu tinha voz, e para satisfazer a curiosidade de uma alma presa em tinta óleo.
A vida pode ser muito simples, e deveras divertida, quando se tem boas páginas em branco, garrafas coloridas com teores alcoólicos diferentes e algumas notas musicais compondo uma harmonia qualquer.
Proponho um brinde a todos nós.
A todos aqueles que pensam.
A todos aqueles que criam.
E a tudo a que essa criação se deve.
escrito por Gabriel Caropreso às 13:12