quinta-feira, 13 de março de 2008
transfiguração
Aquela música dentro vibra por todos os meus órgãos internos, deixando o trabalho dos músculos muito mais fácil, é só deixar a vibração continuar. A música fora estimula a atmosfera quase mágica, e faz com que todos procurem a mesma melodia, cada um com seu ritmo, mas em sintonia.
O respeito por todos que já vestiram aquela máscara vermelha, a concentração no corpo e na alma, como quiser chamá-la. A sala se enche de energia, meus pulmões, olhos e pés recebem esta energia, renovando-a, trazendo-a para mim na forma que eu precisar.
Minha pele se arrepia por debaixo de uma segunda pele, que acabo de vestir. Sinto o cheiro de látex, observo pela primeira vez a sala onde eu já estive diversas vezes, ouço a música externa, percebo a música interna. Já não sou mais eu.
Os olhares se encontram, sem nenhuma interação, cada um percebe o que lhe é importante e carrega isso para si. Logo a interação acontecerá.
O andar é outro, a percepção é outra, o olhar é definitivamente outro.
Cada movimento é uma oportunidade, cada sentimento é uma oportunidade maior ainda, cada pensamento é registrado e esquecido.
Em frente àquela pequena cortina azul, observado por todos, me sinto completo, me lembro apenas de ser, esqueço tudo que não está envolvido com agora, com essa euforia contida, que me permite ser o que nunca fui e só sou agora.
Payaso.
escrito por Gabriel Caropreso às 18:10