quinta-feira, 13 de março de 2008



transfiguração

Aquela música dentro vibra por todos os meus órgãos internos, deixando o trabalho dos músculos muito mais fácil, é só deixar a vibração continuar. A música fora estimula a atmosfera quase mágica, e faz com que todos procurem a mesma melodia, cada um com seu ritmo, mas em sintonia.
O respeito por todos que já vestiram aquela máscara vermelha, a concentração no corpo e na alma, como quiser chamá-la. A sala se enche de energia, meus pulmões, olhos e pés recebem esta energia, renovando-a, trazendo-a para mim na forma que eu precisar.
Minha pele se arrepia por debaixo de uma segunda pele, que acabo de vestir. Sinto o cheiro de látex, observo pela primeira vez a sala onde eu já estive diversas vezes, ouço a música externa, percebo a música interna. Já não sou mais eu.
Os olhares se encontram, sem nenhuma interação, cada um percebe o que lhe é importante e carrega isso para si. Logo a interação acontecerá.
O andar é outro, a percepção é outra, o olhar é definitivamente outro.
Cada movimento é uma oportunidade, cada sentimento é uma oportunidade maior ainda, cada pensamento é registrado e esquecido.
Em frente àquela pequena cortina azul, observado por todos, me sinto completo, me lembro apenas de ser, esqueço tudo que não está envolvido com agora, com essa euforia contida, que me permite ser o que nunca fui e só sou agora.
Payaso.


escrito por Gabriel Caropreso às 18:10


0 Comentários


quarta-feira, 5 de março de 2008



-digno de nota-


A trilha sonora do filme do Bob Esponja é muito boa.


é algo que a gente não espera.


escrito por Gabriel Caropreso às 20:13


2 Comentários


terça-feira, 4 de março de 2008



vodka e socialismo

Sentado em frente àquela tela ameaçadora, procurando o que escrever.
Eis que toca o telefone, interrompendo a linha de pensamento, e me deixando bem puto, pra falar a verdade.
Atendo para ser saudado por uma inacreditável música russa, com acordeões, pratos e gente gritando.

Esse mundo é fantástico.


escrito por Gabriel Caropreso às 12:51


0 Comentários




325, Augusta

O transporte público já estava prestes a deixar seus funcionários descansarem. Nessas cidades, o transporte público é um organismo vivo. Mas naquela rua que vai do centro ao luxo, em uma sala escura de verdade, acontecia algo inexplicável. E esta é uma afirmação pretensiosa, pois tentarei explicar ou descrever o que quer que seja que deixava todos tão inquietos.
Haviam umas 30 pessoas distribuídas em cadeiras confortáveis e bancos de plástico barato. Toda a existência já havia alcançado seu ápice e protagonizado a cena, e deixara de existir num curto espaço de tempo.
Agora, três homens experimentavam sons, sem se importar muito com a reação daquela platéia única, que embora fingisse grande eloquência nesses assuntos modernos, não deixava de tampar os ouvidos de vez em quando.
Uma microcâmera desfocava na parede fragmentos de máquinas, que haviam sido transformados em uma versão beta de qualquer coisa que emitisse sons enquanto acendia luzes aleatórias.
À minha volta, as pessoas se drogavam com aquelas frequências inusitadas, rindo alto, ou fechando os olhos para deixar que as imagens se espalhassem pela retina com mais conforto.
O homem barbudo ria, o homem careca fazia o possível para não ir embora, e acabou cedendo após algum tempo.
Um super-herói japonês observava tudo, esperando o momento certo para convocar seu robô gigante, como é de praxe naquela terra de olhos puxados e cabelos lisos.
As gigantes serpentes de metal estavam prestes a se deixar tomar pelo sono, para um descanso de pouco mais de três horas, e percebi que era hora de partir.
Deixei minhas reverências no chão, caso alguém se importasse, e deixei aquelas frequências na memória recente, para fácil acesso na viagem de volta.
Aconteceu no centro da cidade.


escrito por Gabriel Caropreso às 12:31


1 Comentários