terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
nojo
-Eu nunca disse isso, mas eu te amo, sua nojenta.
Ela sorriu durante alguns dias, enquanto adiava o dia em que finalmente o encontraria e responderia aquele comentário tão insensato. Ela detestava admitir, mas estava mais leve do que nunca.
Sentava-se no sofá da sala, aquele com a estampa colorida e fora de moda, e comia pipocas enquanto ouvis o melhor da sua coleção virtual de jazz.
Hoje em dia é tudo virtual, ela não só se conforma, como adora pensar nisso. Todo o conhecimento do mundo está ali disponível, sempre que ela precisar, mesmo que não precise. Só precisava daquelas palavras tão contraditórias.
No amor, é tudo contraditório. Por isso que ela odiava tanta gente.
Que insensatez, o amor.
Ela adorava as saudades, o frio na barriga e tudo mais. Não importa quantas velas você assopre na vida, o frio na barriga vai sempre te acompanhar.
"Eu te amo, sua nojenta."
Insensato gostar tanto dessas palavras.
escrito por Gabriel Caropreso às 18:20